Mistura entre Religião e Política: Um Retrocesso em Baixa Grande

A história nos ensina que a união entre religião e política sempre resultou em tragédias e abusos de poder. Desde os tempos medievais, quando a Igreja exercia controle absoluto sobre as monarquias europeias, até os regimes teocráticos modernos, a mistura desses dois pilares da sociedade gerou guerras, perseguições e divisões irreparáveis. Infelizmente, Baixa Grande, cidade do interior da Bahia, parece estar vivenciando um retrocesso semelhante nas eleições municipais de 2024.
Há muito tempo, pastores e outros líderes religiosos de Baixa Grande desempenharam um papel fundamental na promoção da paz e da união entre os habitantes. Suas orações eram destinadas à cidade como um todo, abençoando cada família, cada casa, sem distinção. Esses líderes espirituais eram vistos como guardiões da moralidade e da harmonia, alheios às disputas políticas e comprometidos apenas com os princípios de sua fé.
No entanto, o cenário mudou drasticamente neste ciclo eleitoral de 2024. Um dos líderes religiosos de um dos templos mais respeitados do Brasil, que por muito tempo foi um exemplo de integridade e espiritualidade, sucumbiu à tentação da politicagem. Em um ato que pode ser considerado uma verdadeira afronta aos princípios do evangelho, esse rapaz utilizou sua posição de influência para endossar abertamente um grupo político específico, transformando a figura da igreja em palanque eleitoral.
Tal postura não é apenas antiética, mas também extremamente perigosa. A história mundial está repleta de exemplos de como a politização da religião pode ser destrutiva. Durante a Inquisição, milhares de pessoas foram torturadas e executadas em nome de interesses políticos disfarçados de zelo religioso. Nos Estados Unidos, o uso da religião como ferramenta de polarização política tem gerado divisões profundas na sociedade. Em regimes teocráticos, como no Irã, a fé é usada para justificar repressões e a supressão de liberdades básicas.
O que aconteceu em Baixa Grande é um reflexo dessa tendência preocupante. Ao abençoar publicamente um lado político, esse suposto “líder” não apenas desrespeitou a neutralidade que sua função exige, mas também dividiu a comunidade religiosa local. Muitos fiéis se sentiram traídos e desconfortáveis ao ver sua fé sendo utilizada como ferramenta de manipulação política.
Esse episódio serve como um alerta para a população de Baixa Grande e para todas as cidades do país. A religião deve ser um espaço de acolhimento e espiritualidade, não um campo de batalha ideológico. Os líderes religiosos têm a responsabilidade de promover a paz e a união, e não de fomentar divisões em nome de interesses pessoais ou partidários.
Que este momento sirva para refletirmos sobre os perigos de confundir os papéis da religião e da política. E que os eleitores de Baixa Grande saibam distinguir entre o que é fé verdadeira e o que é manipulação disfarçada. Afinal, a história nos ensina que quando a religião e a política se misturam, quem sofre é sempre o povo.
Por: Baixa Grande Na Tela