A Ascensão Autocrática no Brasil: Entre o Fascínio e o Perigo

A Ascensão Autocrática no Brasil: Entre o Fascínio e o Perigo
20/02/2025, Por Osvaldino Vieira de Santana
A democracia brasileira tem enfrentado desafios significativos nos últimos anos, especialmente diante do fortalecimento de movimentos políticos com inclinação autoritária. Um exemplo notável é o bolsonarismo, fenômeno que emergiu com força desde as eleições presidenciais de 2018 e que continua a influenciar setores da sociedade e da administração pública.
A autocracia é um sistema de governo no qual o poder se concentra nas mãos de um líder, sem limites democráticos efetivos. Embora algumas autocracias modernas mantenham uma aparência democrática para evitar condenação internacional, seus mecanismos de controle centralizado comprometem a participação da sociedade civil e a separação dos Poderes.
Desde seu surgimento, o bolsonarismo exibe traços que se alinham a regimes autocráticos: centralização do poder em um líder carismático, hostilidade às instituições democráticas, desqualificação de opositores e ataques sistemáticos à imprensa. Além disso, sua retórica nacionalista e elitista enfraquece a diversidade política e cultural do Brasil.
A tentativa de manipulação do sistema eleitoral é outro ponto crítico. Alegações infundadas de fraude visam desacreditar o processo democrático, minando a credibilidade das eleições e criando um ambiente de instabilidade política. Essa estratégia ecoa táticas usadas por regimes autocráticos para justificar a tomada e a perpetuação no poder sob o pretexto de garantir “ordem” e “segurança”.
Como a Psicologia Explica o Fascínio por Líderes Autocráticos
A teoria freudiana, desde a década de 1920, já tratava da influência das massas sobre o indivíduo e sua relação com líderes autoritários. A história brasileira inclui períodos de autoritarismo, como a ditadura militar, e mais recentemente, a ascensão de um presidente ligado às forças armadas.
Líderes autoritários costumam exibir características que os tornam atraentes para as massas: autoconfiança exacerbada, senso de superioridade e imposição de autoridade. Esses atributos geram uma falsa sensação de segurança, levando à obediência e ao medo, elementos fundamentais para o controle populacional.
O conhecimento sobre esses processos psíquicos é essencial para que a sociedade consiga identificar e evitar a ascensão de figuras autocráticas ao poder. Incentivar a luta pela democracia, garantir os direitos individuais e fortalecer as instituições são passos fundamentais para proteger o país de retrocessos políticos.
A Necessidade de Vigilância Democrática
Regimes autoritários não surgem de forma abrupta; são construídos gradativamente, contando com a tolerância e permissividade de parte da sociedade. Para evitar que o Brasil siga esse caminho, é essencial que a população e as instituições democráticas permaneçam vigilantes, promovendo educação política, fortalecendo os valores democráticos e garantindo o respeito às regras do jogo político.
A defesa da democracia não é apenas um dever institucional, mas uma responsabilidade de todos os cidadãos comprometidos com a liberdade e a justiça.