Violência pós-eleitoral: como manifestações hostis causam traumas e prejudicam o futuro de nossa comunidade

Em toda eleição, o país passa por um momento de polarização, com debates intensos e posicionamentos marcados. Após a divulgação do candidato vencedor, as manifestações de alegria são naturais e compreensíveis, mas quando se tornam violentas ou expressam sentimentos de ódio e revanchismo contra o lado derrotado, o impacto negativo vai muito além das ruas.
Nos últimos anos, casos de confrontos agressivos entre concorrentes geraram traumas em inúmeras comunidades. As cenas de violência – ataques a residências, vandalismo em prédios públicos, bloqueios de ruas e até agressões físicas – não apenas intimidam a população, mas também promovem um ambiente de insegurança e medo. As consequências são amplas: os danos físicos são tangíveis, mas os traumas emocionais persistem, afetando pessoas de todas as idades e criando um legado de desconfiança entre vizinhos e amigos.
O impacto na saúde mental e social
Segundo psicólogos, o clima de hostilidade política deixa marcas profundas, especialmente em crianças e adolescentes. “As crianças são sensíveis a essas tensões e aprendem o ódio em um momento em que deveriam aprender a valorizar a empatia e o diálogo”, afirma o psicólogo Lucas Pereira, especialista em traumas sociais. Além disso, a constante exposição à violência e às manifestações agressivas contribui para a ansiedade e a insegurança, prejudicando o desenvolvimento social e emocional.
Para muitos, os efeitos emocionais desses conflitos podem durar meses ou até anos, trazendo sentimentos de raiva, tristeza e impotência. Isso sem contar a divisão na comunidade, que se fragmenta, tornando o ambiente social mais tenso e prejudicando o convívio harmonioso.
Danos materiais e recuperação das cidades
Manifestantes exaltados muitas vezes deixam um rastro de destruição nas cidades, atacando propriedades públicas e privadas. Segundo dados da Confederação Nacional de Municípios (CNM), o custo com reparos de danos urbanos, infraestrutura e segurança gerou despesas extras aos municípios, que precisam redirecionar recursos que poderiam ser destinados à educação, saúde e infraestrutura
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Reflexão e responsabilidade dos vencedores
Diante disso, é urgente que o lado vitorioso das eleições demonstre liderança e promova manifestações de alegria com responsabilidade e respeito. Os líderes eleitos e seus apoiadores têm o papel fundamental de fortalecer que a vitória não seja sobre um grupo ou uma oposição, mas sobre a construção de um país para todos. Ao celebrar com união e paz, os vencedores enviam uma mensagem de que é possível alcançar objetivos coletivos sem provocar danos.
A celebração de uma eleição democrática deve ser uma afirmação de valores partilhados, e não uma demonstração de poder ou revanchismo. A verdadeira vitória é aquela que promove a paz e fortalece a comunidade.
Por Osvaldino Vieira de Santana